quarta-feira, 3 de outubro de 2018

A vida não espera ficarmos bem...

Nem tudo é como queremos, as vezes enfrentamos situações que estão demasiadamente distante do nosso entendimento. É assim mesmo, as coisas acontecem de tal maneira, que não conseguimos controlar.
Em outros momentos, parece que tudo está em plena ordem. As coisas acontecem como achamos que devem ser e tudo fica mais bonito.
Nesse momento, os pássaros cantam de uma forma que chega a se confundir com uma belíssima orquestra, tudo em perfeita harmonia.

A vida é feita de altos e baixos.

O que acontece é que, nos acostumamos em ter coisas boas, nos acostumamos facilmente com momentos felizes, aliás, queremos apenas esses momentos.
Não gostamos de pensar no futuro e falar em morte é como se atraísse "mau agouro".
Somos incompletos em maturidade.
Não aprendemos a vivenciar os momentos como deveríamos.
Vamos fazer um exercício simples;
Sabemos que nossos pais não irão durar para sempre, mas como lidamos com a perda?
Eu não sei se esse é o pior sentimento, mas olha a pequena estória abaixo;
O marido trabalhando em sua oficina e a esposa liga.

Esposa: Amor, a tia Lúcia faleceu

Marido: Que tia Lúcia?

Esposa: Aquela que estava doente, que passamos o final do ano na casa dela.

Esposa: Deixa eu falar também, chegou aquela multa do radar que tomamos mês passado.

Marido: Poxa, a tia Lúcia tava tão "nóvona" ainda, acho que não tinha nem 60 anos.

Marido: Qual o valor da multa?

Esposa: 200 reais, sim, ela tava bem nova, iria fazer 58 anos. Mas a multa tem que pagar a vista.

Marido: Fazer o que né, tomamos a multa agora tem que pagar.

Marido: Você consegue pagar a multa, tem dinheiro com você, caso não tenha, retire o valor no banco.

Esposa: Sim amor, tenho algumas coisas pra fazer no centro, depois do almoço eu passo e já pago.

Marido: Então tá bom, se der tempo, de uma passadinha no velório para que as pessoas vejam que nós fomos, fica chato não irmos, mas tô na oficina ainda e só saio a tarde, tenho que trabalhar senão não viajamos no final do ano.

Esposa: Tá bem amor, bjs.

Marido: bjs.

Pode parecer bobo, mas é quase assim que termina uma conversa sobre o luto de quem não está tão próximo a nós.
Não damos importância e tampouco paramos para fazer uma reflexão sobre a morte.
Somos ligados apenas naqueles que estão mais próximos e não há nada de errado nisso, mas poderíamos aproveitar o momento para refletir...

Estamos numa luta constante com as condições impostas pela vida e nem sequer agradecemos pelo sopro da mesma vida que temos.

A vida é feita de altos e baixos.

Se o acontecido decorresse sobre alguém perto, viveríamos o luto, choraríamos por um momento, por algum tempo talvez...

Para alguns findaria então a vida e essa pessoa iria ao extremo em deixar de viver.
Para outros seria uma vida de lamentações;

_para mim isso não dá certo, porque foi comigo, seriam ponderações que alguns fariam...

Mas o estarmos bem, não tem relação com as condições ou circunstâncias, eu tenho a opção de estar bem independente das circunstâncias, conforme as condições que eu tenho.
"Fazer o seu melhor na condição que você tem enquanto não tem condição pra fazer melhor ainda" (Mário Sérgio Cortella)

Não sou hipócrita e bem sei que dependemos de algumas coisas.
Os dias não são iguais, uns mais quentes e outros mais frios...

O nosso cotidiano é formado de estações também e devemos florir sempre...
Devemos vivenciar os momentos e refletir sobre eles.
Quanto a tia Lúcia, eu ouvi uma história bem parecida... No caso desse texto, tia Lúcia nada mais é que apenas uma personagem fictícia, mas quantas tias Lúcia estão se indo todos os dias, e qual a reflexão sobre essa partida?

A vida é como uma roda gigante, em qual momento dessa roda você está?

Se tiver triste, lembre-se:

"...o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã."
(Salmos 30:5)

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