quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Rede Social

Rede Social

Procurei sair correndo atrás dela, mas eu não sabia para que lado ela tinha ido.
Minha cabeça estava rodando, ao mesmo tempo em que eu tentava entender o porquê de tudo isso acontecendo ao mesmo tempo...  Silvia era uma pessoa por quem eu tinha enorme admiração, mas eu ainda não conhecia pessoalmente.
Tudo começou através de uma conversa numa rede social. Não me recordo com perfeição a data exata em que ficamos amigos, mas sempre estávamos conversando. Silvinha como carinhosamente eu chamava, gostava basicamente das mesmas coisas que eu. 
Passado algum tempo depois eu e Silvinha éramos mais que amigos, nada mais eu publicava, a não ser no mural dela.
Em setembro fui para Belo Horizonte na casa dos meus tios, tia Dóra e tio Valdir, aproveitar o feriado prolongado. Num passeio a noite junto a Tina (Cristina) e o Samuca (Samuel) meus primos, fomos a um barzinho no centro da capital mineira. Já altas horas, eu disse ao Samuca que estava cansado e que também a Tina estava um pouco alta.
Eu não consumo bebida alcoólica, e não estava nem um pouco à vontade ali.
Saindo daquele ambiente já no carro, mas ainda no estacionamento, uma moça bate com seu carro no carro da Tina. Samuca parou o carro e Tina desceu alterada começou a discutir. Eu já estava impaciente a moça que bateu no carro deu telefone, mas não tinha como resolver nada ali.
Tina não parava de gritar, então a peguei pelo braço e levei-a ao carro quando escuto:

- Matheus... 

Ao me virar olho para moça que me chamou e pergunto:

- Falou comigo?

Ela insiste:

- Você é o Matheus!

Nesse momento passa um filme em minha cabeça, mas de onde apareceu aquela moça, como ela me conhecia? Eu só podia pensar em uma pessoa, mas não ali, ela não era daquela cidade... Tina não parava de pé estava cambaleando, mas não parava de gritar.
Eu tentava ver a moça que chamava pelo meu nome, mas não conseguia vê-la e ela saia e meio ao movimento.

Encontros e desencontros...

Mas com quem, porque ela correu? Tina não se acalmava, Samuca resolveu com a moça e então seguíamos rumo a casa (de onde eu acho que nem deveria ter saído).
No caminho com Tina literalmente "apagada", Samuca me perguntava se eu estava bem, eu dizia que sim, mas em minha cabeça tentava encontrar nomes, quem era aquela moça, será que alguém que cresceu comigo, mas porque não veio falar comigo?
As dúvidas insistiam em me atormentar.
Já em casa após o banho fui me deitar, passavam da 03:20 da madrugada, logo peguei no sono.
Pela manhã não me lembro certo o horário, escutei gritaria na casa dos meus tios, Tia Dóra ao me ver levantar me disse que havia feito um bolo de fubá, mas que esperasse um pouco, pois Tininha havia levantado e estava querendo saber o que houve com seu carro. "vai entender bebum né..."
Tomei café e tio Valdir veio conversar comigo, perguntava sobre minha mãe, meu pai... Tio Valdir era um senhor que havia lutado muito na vida, há sete anos travou uma luta contra o câncer, e tinha muitas histórias para contar...
Eu me divertia com ele, já tia Dóra (que é irmã do meu pai) é mais reservada, mas eu gosto dela também. Em torno das 11:00hs da manhã alguém chama o meu tio e acabo ficando sozinho na sala... Fui ao quarto e peguei meu notebook e comecei a ver minhas redes sociais para me atualizar...
Tinha vários posts para mim... Como é bom ter amigos né, estavam todos querendo saber o porquê eu havia sumido (apenas três dias fora e causei...kkkkkk). Comecei a procurar aqueles com quem tenho mais afinidade... Silvinha...  Mas nada, naquele horário eu tinha certeza que ela estaria online...
Procurei e nada, fui ao seu perfil não achei, (pô, o que poderia ter acontecido...) Comecei a procurar por tudo e nada de Silvinha... estava ficando aflito, de repente tia Dóra me grita da cozinha:  -Matheus...Matheus...por favor, me ajude aqui Fui a cozinha e deixei o "not" aberto... Minha tia estava fazendo um almoço que o próprio cheiro denunciava o sabor, apesar de morar na capital, minha tia mantinha o velho fogão a lenha.
Não sei dizer se o tipo de fogão altera o sabor da comida, mas quando eu estava lá eu conseguia viajar no passado e lembrar-se de quando eu era criança.  Samuca entra na cozinha, minha tia Dóra reclama do horário dele levantar e ele me avisa que tem alguma coisa piscando no meu notebook.
Terminei de ajudar minha tia e fui ver o "not". Quando cheguei logo percebi que era um e-mail, mas para minha decepção, nele havia a seguinte mensagem: 
“-Há entendi, você insistiu em conversar comigo apenas para manter uma segunda opção né, péssimo isso, porque agora eu sei que não acredito mais em você. Nossa quer dizer então que não tinha nada a ver o que falávamos, porque então escolheu um assunto tão forte para mim e não escolheu falar sobre tantas outras coisas, parabéns para você, conseguiu-me decepcionar. Eu te vi ontem com sua mulher aqui em BH.”

Fiquei paralisado tentando entender tudo aquilo, como assim, Silvinha mora em Goiânia, não alguma coisa está errada... mas o e-mail continuava...

"-Quando você disse para mim que viria para BH, eu decidi fazer uma surpresa para você e reservei um quarto de hotel aqui, cheguei em BH um dia antes de você. Fiquei te esperando e te vi no saguão do aeroporto, mas vi também que uma moça correu ao teu encontro e então me afastei e fiquei apenas observando, tentando entender como eu pude ser tão idiota a ponto de querer de forma diferente.
Segui você e vi quando ela te entregou a chave do carro e você dirigiu. Vi quando você entrou naquela residência e apenas segui vocês quando saíram à noite, eu não sei como, mas eu te perdi quando você entrou naquele ambiente, aquele mesmo ambiente que você disse para mim várias vezes que não gostava, como não Matheus?
Eu estava fora de mim, a minha próxima atitude era sair daquele local ir para o hotel e antecipar por razões óbvias minha volta...
E eu que disse para a mamãe que havia encontrado alguém diferente aff, vocês são todos iguais. Quando eu vi aquela confusão e escutei uma moça gritando eu não queria passar, mas não tinha como, era a saída. Mas ao ver você com aquela moça nos braços, foi a certeza que eu precisava para saber ao certo quem é você, eu só não entendo o porquê fez isso comigo..."

Eu não acreditava no que eu estava lendo, ela entendeu tudo errado, poxa, porque ela não me avisou que viria comigo...

- Espero sinceramente que você seja muito feliz, eu vou embora daqui e tenha certeza que da sua vida também...só te peço que não engana outras pessoas como fez comigo... ...adeus".

Não, como assim adeus...entrei em desespero. Tio Valdir entrou em casa quando eu terminava de ler o e-mail e me questionava se eu estava bem, se aconteceu alguma coisa... Pedi a ele o carro emprestado e ele sem nenhum problema me emprestou.
Chamei o Samuca e quis que ele me levasse em todos os hotéis da cidade. Ele sem entender nada, começou a me questionar o porquê, e fui contando a ele no caminho... Chegamos ao primeiro hotel e a recepcionista foi educada e me disse que não, que ali não havia nenhuma Silvia Fagnhello.
Fomos a outro hotel e nada também, foi assim até chegarmos no 4º hotel e o recepcionista começou a verificar a lista de hóspedes quando me informa que Silva havia fechado a conta a pouco mais de 3hs e agora, aonde ir? Pensei até que o Samuca disse para a gente ir para o aeroporto, o carregador de malas disse que não seria possível, porque ela confirmou que entregaria o carro da locadora na filial lá em Goiânia.
Por um minuto fiquei pensando em que, em como, e agora?
Já não tinha mais o que fazer, eu tinha um número residencial da Silvinha e resolvi esperar para poder ligar para ela então e me explicar.
Fomos para casa e tia Dóra estava preocupada comigo porque eu tinha saído sem falar nada para ela. Depois de ter contado a história a todos, Tina me deu maior apoio e começou a querer me fazer sentir bem.
Já estava à noitinha e Samuca e Tina me convidaram para sair com eles, eu achei melhor não, afinal o último passeio junto não havia sido nada agradável, eles insistiram, mas eu não fui.
Sempre tive enorme carinho por meus primos, crescemos juntos e quando eu achava que eles já estavam se divertindo, escutei do quarto um barulho de carro na frente da casa. Bom continuei ali quietinho. Logo tio Valdir bate na porta dizendo que tinha alguém me chamando, na mesma hora pensei é a Silvinha... mas não, era os malucos dos meus primos com uma galera dizendo para acender a churrasqueira que eles não iriam permitir ficar lá sem fazer nada... Ok, não teria outra maneira mesmo... enfim. Comecei a curtir com eles, a tia Dóra começou a preparar uma maionese e diga se de passagem, não comi nada parecido com a maionese da minha tia, ela faz com maçã e é uma delícia.
Tio Valdir estava se divertindo e veio ao meu encontro com meu celular em suas mãos:

-Estava tocando lá rapaz, eu não atendi por não achar certo".

Bem na hora que eu iria atender, caiu a ligação, eu não conhecia o número e não retornei. Voltei junto ao Samuca e a Tina e novamente toca o celular, era da Polícia Rodoviária...
O guarda disse que Silvia havia sofrido um acidente e que ela estaria na Santa Casa de Belo Horizonte, disse ele que lá estaria uma equipe do Resgate que iria me dar todas as explicações necessárias, disse também que esse era o único número que eles encontraram com ela... Poxa... porque está tudo acontecendo dessa maneira...


 Fim da primeira parte

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